domingo, 25 de outubro de 2009

A Nutrição na História: Seres que se alimentam



Falar sobre a história da nutrição é falar também da própria história do ser humano, sua evolução e desenvolvimento. “Primeiramente, seu tipo de alimento obedeceu ao instinto, mais tarde perde seu instinto e passa a se alimentar segundo normas e a oferta de alimentos. Relativamente ao alimento, costuma-se dividir a história da humanidade em três importantes eras. A primeira foi caracterizada pelo consumo de alimentos ofertados pela natureza (vegetais e animais selvagens), o que era feito através da caça, da pesca ou da coleta. A evolução das sociedades humanas tem 3 etapas: 1) caçadores; 2) pastores sem estabelecimentos fixos (nômades); e 3) sedentários (cultivo do solo ou prática da agricultura; admite que o espírito de iniciativa possa fazer com que o homem adote o nomadismo ou se fixe a terra.
Sem dúvida, o homem pré-histórico realizou experimentos nutricionais através dos tempos, quando começou a suplementar a sua dieta vegetariana com ovos, répteis e pequenos mamíferos.
Aproximadamente há 1 milhão de anos atrás, na China, o homo sapiens comia carne de animais, inclusive a medula do osso da perna, que fornece vitaminas, ferro e fosfolipídios. Através dos séculos, o homem foi ficando mais hábil como caçador, coletor de alimentos e agricultor. O apetite deve ter estimulado os sentidos do homem primitivo, fazendo-o distinguir novos e desejáveis odores; assim, foi levado a experimentar e saborear alimentos ainda desconhecidos. Aceitava aqueles que satisfaziam seu gosto e recusava os que lhes causavam repugnância. Desse modo, o sabor e o odor devem ter desempenhado importante papel no estado nutricional do homem primitivo.
Na pré-história, ao que parece, o homem era predominantemente carnívoro porque, durante o período glacial e interglacial, não havia vegetação no solo gelado; é o que indicam os fósseis. Comer em grupo era um prazer para o homem primitivo; alimentava-se abundantemente, fartava-se quando aliviado, consumia mais alimentos, não pensava no amanhã.
Com o fim da era glacial, a nudez do solo levou o homem e os animais a se reunirem em torno de lagos e rios, marcando o início da civilização com a agricultura. Em termos de variedade em sua dieta, historicamente o homem alcançou o pináculo do sucesso quando caçador/coletor. A agricultura esboçou-se pelas exigências da alimentação, tornando-se sedentários os que a ela se dedicavam. Domesticaram-se os animais a serem abatidos, e o homem destruidor converteu-se em criador.
O desenvolvimento da agricultura marcou o inicio real da civilização. ”Esse regime era baseado no azeite de oliveira, no vinho de uva, no peixe e no trigo, e revelou-se tão eficaz que permanece até hoje o regime básico da área mediterrânea.”. O uso do peixe para fornecer elementos protéicos de sua alimentação ligou a economia ao mar e deu nascimento às embarcações e proficiência náutica....
O mundo vegetal está estreitamente ligado à nutrição humana, contata-se, com surpresa, que a totalidade das plantas que servem atualmente à nossa nutrição vem sendo utilizada há milênios, sendo o trigo e a cevada os primeiros cereais cultivados pelo homem. Além destes produtos merecem destaque, em face da grande importância que tiveram na história da alimentação, o mel, o pão, a cerveja e o vinho.
Os condimentos também têm sua significação na história da alimentação humana. O homem primitivo, como o atual, desejava alguma coisa a mais do que o alimento em si; foi o sabor que desenvolveu a arte de comer e a beber.
O uso do sal na alimentação humana constituiu um marco da civilização. Esse condimento deu origem a uma das mais antigas relações comerciais.”
Até o século XX, muitas descobertas técnico-científicas importantes levaram ao progresso e também à modificação dos costumes alimentares (ABREU, 2000):
1. O aparecimento de novos produtos;
2. A renovação de técnicas agrícolas e industriais;
3. As descobertas sobre fermentação;
4. A produção do vinho, da cerveja e do queijo em escala industrial e o beneficiamento do leite;
5. Os avanços na genética permitiram sua aplicação no cultivo de plantas e criação de animais;
6. A mecanização agrícola;
7. E ainda o desenvolvimento dos processos técnicos para conservação de alimentos.
A descoberta oficial da América, 1492 resultante das tentativas de novas descobertas, como citado anteriormente, e as outras viagens que Cristóvão Colombo realizou, não tiveram apenas repercussões políticas e econômicas. Colombo foi um brilhante estimulador de descobertas gastronômicas, tais como o tomate, abacaxi, batata, baunilha, milho, feijão.
O crescimento demográfico, industrialização, urbanização, muda o consumo e o estilo de vida, favorecendo o sedentarismo, a restrição da necessidade de gasto de energia para as atividades diárias e para o trabalho, além de facilitar o consumo de alimentos prontos e de alta densidade energética, aumentando os problemas de saúde como a obesidade, a hipertensão e alguns tipos de câncer. A urbanização traz consigo as infecções advindas de água e alimentos contaminados.
O aumento da expectativa de vida e a urbanização combinados com o subdesenvolvimento econômico tem significado com freqüência a superimposição de um tipo de distúrbio alimentar. Desde a conferência mundial de alimentação em 1974, os organismos internacionais têm concentrado a questão da subnutrição que os leigos chamam de fome. Geralmente as pessoas que não obtêm o suficiente para comer, para satisfazer as suas necessidades vitais básicas, têm em comum a pobreza. A maior parte da fome e da desnutrição em todo o mundo moderno são produtos da pobreza (Comitê nacional de los Estados Unidos, 1992).
Fontes- Livro: A História da alimentação e da Nutrição
Artigo: Alimentação mundial – uma reflexão sobre a história